segunda-feira, 8 de abril de 2019

Consequências e problemas do castigo na educação

Consequências e problemas do castigo na educação

Agora que já conhecemos os princípios que governam o condicionamento operante, vamos nos voltar para a utilidade e as consequências do castigo na educação.
Quando educamos uma pessoa, não procuramos moldá-la à nossa vontade, mas sim desenvolver seu potencial intelectual e sua visão crítica da sociedade. Esse é o objectivo da educação e da premissa que guiará nossa análise.
O castigo, apesar de mostrar sua eficácia quando se trata de moldar o comportamento, é um método bastante deficiente na educação. As razões que sustentam essa afirmação são as seguintes:
  • A modificação de conduta está condicionada à existência da punição.Como mencionamos anteriormente, o comportamento será mantido apenas enquanto a punição existir. Se a punição desaparecer, o comportamento negativo voltará a aparecer. Isso nos mostra que não existe um aprendizado profundo sobre o que é certo ou errado, mas simplesmente um aprendizado associativo.
  • Possível aparecimento do desamparo aprendido. Se não é apresentado junto ao sujeito um comportamento alternativo junto com a punição, ele pode ser incapaz de encontrá-lo por si mesmo e ficar paralisado. Por exemplo, uma criança que se esforça para passar de ano, mas não consegue e é castigada por isso. Essa forma de agir pode fazer com que a criança assuma a punição e se veja incapaz de conseguir agir “correctamente”. O desenvolvimento dessa atitude pode afectar negativamente sua auto estima.
  • Educar com violência, criar pessoas violentas. Quando os castigos são violentos (físicos ou psicológicos), podem surgir consequências fatais na educação das pessoas. Os humanos aprendem em grande medida por imitação e imersão em um contexto social; se nosso entorno resolver problemas com violência, aprenderemos a responder da mesma forma ao que acontece connosco, além das sequelas emocionais que surgirão.
  • Associar o castigo à pessoa e não ao comportamento. Em muitas ocasiões, quando o sujeito não entende por que seu comportamento está errado, ele irá associar a culpa à pessoa que executa a punição. O sujeito acreditará que a punição é um capricho egoísta de quem a transmite. Nessas ocasiões, a pessoa não reduzirá a frequência de seu comportamento, mas evitará aquele que administra a punição.
Como podemos ver, educar uma pessoa é algo complexo e cheio de nuances. O castigo é uma solução simples e fácil, mas extremamente superficial e perigosa em muitas ocasiões. Embora os comportamentos negativos não devam ficar impunes, educar em valores é um pouco mais complexo.
Uma boa educação é governada por um estilo educacional democrático, crítico e baseado no debate. Quando uma criança tem um comportamento negativo, deveria ser seguida por uma discussão sobre o motivo pelo qual está errada, quais alternativas existem e como ela pode resolver os problemas que criou.
A educação é uma questão muito séria, já que determina boa parte de nossa vida futura. Através da pesquisa científica e da mudança progressiva de nossas práticas, podemos caminhar na direção certa.

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